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Considerações sobre a Rinite:
Rinite para Leigos


   Crises de espirros, nariz escorrendo, entupido e coçando, dormir respirando pela boca, olhos lacrimejando, quem já não passou por isso?

   E quando você passa a escutar aquela clássica perguntinha: "gripadinha novamente”?”“ o neném está gripado de novo?”““, ou então: “você vive gripado, heim?”- é hora de desconfiar que não seja realmente gripe o que se está sentindo, mas sim a rinite alérgica que apesar de assemelhar-se a um estado gripal, tem mecanismos e causas diferentes.

   A rinite é uma das enfermidades alérgicas mais freqüentes, acometendo cerca de 20% da população, entre adultos e crianças. É na verdade uma manifestação derivada da sensibilidade exagerada da mucosa nasal. Seus sintomas principais são: espirros repetidos, coriza ("nariz escorrendo"), congestão (entupimento) e coceira do nariz, que pode ser intensa.

   Para se compreender melhor a rinite, é preciso entender a função do nariz e suas relações com as vias respiratórias superiores.


FUNÇÕES DO NARIZ


   Um nariz não existe apenas para enfeitar (ou não) o rosto de uma pessoa, mas para cumprir funções importantes como a olfação, a respiração, limpeza e condicionamento do ar.

   O ar respirado que ingressa no organismo através das narinas é frio e contém impurezas e germes. É na cavidade nasal que começa o processo da respiração, onde este ar será aquecido, umedecido e limpo (filtrado), proporcionando melhores condições para que a respiração pulmonar se realize de maneira adequada. Assim, o nariz é a primeira barreira que protege o organismo contra o ingresso de microrganismos presentes no ar que respiramos.

   O nariz atua também em outros processos, como a olfação. Sentir cheiros faz parte da vida de qualquer pessoa. Um bom sabonete, um alimento cheiroso, quem esquece? E a olfação participa intimamente no paladar, proporcionando as condições necessárias para que possamos distinguir o sabor dos alimentos.

   Mas não fica só nisso: as fossas nasais também se comunicam com os seios paranasais (ou seios da face), com a faringe (onde se encontram as amígdalas, as adenóides e as cordas vocais), com os ouvidos através das Trompas de Eustáquio e com os olhos através do conduto naso lacrimal. Assim, a emissão da voz, a audição e a visão também necessitam de uma relação harmoniosa com um nariz funcionando direitinho!

   O maior problema é que o nariz habitualmente não é valorizado pelas pessoas, que conseguem conviver (e tolerar) um incômodo nasal por longo tempo, porque acreditam (erradamente) que este não é um problema sério.

   Além disso, convivemos atualmente em grandes cidades, muitas vezes com ambientes poluídos, inadequados, que perpetua uma agressão ao processo respiratório

   Fica mais fácil entender então porque uma rinite incomoda tanto e as conseqüências de uma rinite que não é tratada adequadamente, como veremos adiante.


VAMOS ENTÃO APRENDER A SERMOS DONOS DO PRÓPRIO NARIZ!!
O QUE É RINITE ALÉRGICA?

   A rinite alérgica é definida como uma inflamação do revestimento interno do nariz, caracterizada pelos seguintes sintomas: coceira, irritação do nariz, espirros, coriza e obstrução (entupimento).

   Estes sintomas surgem minutos após a inalação da substância que provoca alergia (como poeira, mofo etc.). Ocorrem como conseqüência de uma reação de defesa do organismo (imunológica) através de anticorpos de um tipo especial (imunoglobulina E ou IgE) que o alérgico fabrica em grande quantidade. Estes anticorpos se localizam na mucosa respiratória presos a um tipo especial de célula denominado mastócito.

   A reação do alérgeno (substância que provoca alergia) com o anticorpo IgE provoca a liberação de substâncias químicas pelo mastócito (mediadores) que levam a uma inflamação local causadora dos sintomas.

   A inflamação é também responsável pela inchação da mucosa (edema) que se traduz por entupimento do nariz.

   A repetição do processo alérgico leva a uma inflamação crônica que permanece mesmo quando a pessoa não está em crise.


O QUE CAUSA A RINITE ALÉRGICA?

   A alergia nasal depende da sensibilidade individual da pessoa face aos alérgenos, como por exemplo, alguns inalantes, como a poeira doméstica e seus ácaros.

   Na realidade, o que chamamos de poeira doméstica é uma mistura de substâncias (vivas e inertes) que engloba desde os restos humanos, ou seja, restos de alimentos, estofamentos, fibras de tecidos, escamas da pele humana e dos animais, bactérias, mofo e bolores (fungos), restos de insetos, ácaros, etc.

   Os ácaros são seres diminutos, só vistos ao microscópio, que vivem na poeira domiciliar e se alimentam destes restos. Suas fezes (também chamadas de bolotas fecais) são a causa mais comum de rinite alérgica no Brasil.

   O que complica é que nem sempre as pessoas identificam a causa de suas queixas. Um exemplo é aquele onde os sintomas pioram à noite e pela manhã e não se percebe que a fonte de seus problemas pode ser o seu próprio colchão ou travesseiro. Famílias que tem cão ou gato dentro de apartamentos não relacionam que a alergia pode não ser direta dos animais, mas pela facilidade com que alérgenos (pêlos, saliva) destes animais sejam incorporados à poeira de suas casas e mantendo a rinite.

   Cada pessoa é uma pessoa diferente e é preciso investigar o que poderia estar causando os sintomas, seja na casa em que mora, na escola ou no trabalho. Até mesmo os hábitos, diversões, hobbies, devem ser pesquisados.


COMO A RINITE SE MANIFESTA?

   A rinite pode aparecer em qualquer idade, tendo uma íntima relação com o meio ambiente, condições de trabalho e forma de vida da pessoa. Apresenta-se em crises (períodos de piora) com:
espirros repetidos;

  • Coriza líquida e transparente, quase aquosa - em geral abundante,
  • Coceira nasal insistente (às vezes coçam também os olhos, os ouvidos, céu da boca e a garganta);
  • se a mucosa nasal encontra-se congestionada, as narinas entopem. Esta obstrução pode ocorrer ora em uma narina, ora em outra;
  • Os olhos encontram-se muitas vezes avermelhados, irritados, lacrimejando e coçando;
  • É comum a sensação de escorrimento da secreção pela parte de trás do nariz, conhecido pelo nome de gotejamento pós-nasal, que pode provocar pigarro ou tosse insistente,

   Os sintomas infantis tendem a ser notados mais tardiamente que nos adultos porque em geral, as crianças queixam-se menos. Além disso, comumente passam o dia longe dos pais, levando a uma demora na sua identificação.

   A criança alérgica tem uma mímica característica pelo ato repetido de coçar o nariz chamado "saudação alérgica": ela esfrega o nariz de baixo para cima com a mão espalmada em um único gesto.


COMO POSSO SABER SE TENHO RINITE?

   O primeiro passo é procurar um médico especialista que irá lhe orientar.

   Para diagnosticar sua rinite, o médico investigará a sua história, a forma como tudo começou, ouvirá suas queixas. 

 

   O exame do nariz - chamado de rinoscopia - e a avaliação das vias aéreas superiores - evidenciará alterações características da rinite alérgica. A mucosa do nariz encontra-se congestionada, umedecida, pálida, mostrando congestão das narinas. O exame do ouvido, boca, olhos e pulmões complementarão o diagnóstico.

   Em alguns casos poderão ser necessários exames complementares, como a radiografia dos seios da face. A necessidade de exames varia para cada pessoa.

   O médico então realizará os testes cutâneos alérgicos para comprovar o seu diagnóstico.

   Raras vezes serão necessários exames de sangue para detectar a alergia.


TODA RINITE É ALÉRGICA?

   Não. Existem outros tipos de rinite que não tem causa alérgica. Como exemplos, podem-se citar:

RINITE INFECCIOSA - São causadas por germes - bactérias ou vírus. O exemplo mais comum é o das gripes e resfriados.

RINITE VASOMOTORA - É assim chamada porque aparece devido à reação dos vasos da mucosa em resposta às causas que não são alérgicas nem infecciosas, como por exemplo, frio, mudança de tempo, emoções, ar condicionado etc.

   É parecida com a rinite alérgica, mas a queixa que predomina é o entupimento nasal, que pode ser muito intenso e às vezes é o único sintoma.

   Também citam-se as rinites causadas por fatores irritantes, como por fumaças, cheiros muito ativos, gases industriais, poluição, etc.

RINITE POR CORPO ESTRANHO - É mais comum nas crianças pequenas, sendo causa relativamente freqüente de atendimento em prontos socorros. Citam-se casos de crianças que colocaram dentro do nariz os mais variados tipos de corpos estranhos, como grãos de feijão ou arroz, contas de colares, pedaços de borracha etc. 

   Neste caso o que diferencia é que a coriza em geral é purulenta e unilateral (ou seja, apenas do lado que corresponde à presença do corpo estranho).

RINITE POR MEDICAMENTOS - Pode ocorrer em conseqüência do uso exagerado de gotas nasais ou como efeito colateral de remédios. Falaremos com mais detalhes mais adiante.

RINITE HORMONAL - Como veremos adiante, ocorre em resposta aos hormônios da gravidez. A queixa maior é a obstrução que só desaparece depois do parto.


COMO DIFERENCIAR UM RESFRIADO DA RINITE ALÉRGICA?

   O resfriado comum (ou gripe) é geralmente causado por vírus, acontecendo ocasionalmente, em média quatro a seis vezes por ano em cada pessoa. Transmite-se por contágio, comprometendo, então, várias outras pessoas numa mesma época. Costuma-se acompanhar de febre, mal estar, dores no corpo, falta de apetite. Pode ser comparado a uma rinite infecciosa.

   A rinite alérgica é individual, não é infecciosa, não se transmite pelo contágio e relacionam-se com causas específicas, como a poeira, o mofo, etc. Na maioria das vezes não tem sinais gerais, não se acompanhando de febre. Os sintomas podem acontecer por períodos prolongados, com piora nos meses frios e nas mudanças de temperatura.


QUAIS SÃO AS COMPLICAÇÕES DA RINITE?

  • Muitas vezes, seja nos adultos como nas crianças, os sintomas da rinite não costumam ser valorizados e continuam por tempo prolongado - meses, anos, alternando períodos em que se está bem e outros com piora. É assim que o processo pode complicar: a obstrução nasal mantida obriga a pessoa a respirar com a boca aberta (ou semi aberta): é a chamada "respiração oral".
  • Assim, começa a provocar desconforto na garganta - que pode variar desde um pigarro, ressecamento, até amigdalites ou faringites repetidas. Não raro, surge também queixa de voz anasalada. O ressecamento da boca provoca também aumento de cáries.
  • Nas crianças, a respiração bucal prolongada pode levar também à diminuição do apetite, dormem mal, roncam à noite, babam no travesseiro, têm o sono agitado - tornando-as sonolentas e desatentas na escola, prejudicando o aprendizado. Em alguns casos, pode causar o aparecimento de alterações dentárias, como a dentição protusa ("dentuço"), e ainda, o grande problema é que a boca não substitui o trabalho do nariz e, portanto não filtrar o ar prejudica a dinâmica respiratória de maneira profunda, provocando o aparecimento de deformidades do tórax, mesmo quando a criança não tem asma.
  • Estas crianças constituem uma parcela especial e necessitam ser vistas de uma maneira individualizada e geralmente envolvendo vários especialistas, como ortodontistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas etc. Só assim pode-se ter êxito com o tratamento específico.
  • Outras complicações da rinite são: sinusites, amigdalites ou faringites, inflamações do ouvido repetidas, aumento (hipertrofia) das adenóides - também conhecidas popularmente como "carnes do nariz". Pode também provocar: alterações do olfato, do paladar, da audição, dores de cabeça, falta de ar, tosse, febre, além de olheiras e alterações oculares.
  • A rinite alérgica não provoca desconforto apenas pelos sintomas nasais, mas também acarreta um forte impacto sobre a qualidade de vida da pessoa.
  • Assim, se a rinite não é uma doença grave, comparada com a asma, por exemplo, pode tornar-se uma doença muito trabalhosa, prejudicando a pessoa no trabalho, nas aulas, no descanso (não dorme bem) e até no convívio social, seja adulto ou criança.


COMO É FEITO O TRATAMENTO DA RINITE?

   Tratar a rinite não significa apenas dar alívio imediato aos sintomas, mas sim trabalhar para que a pessoa volte ao seu estado normal, corrigindo as conseqüências da doença.

   É como uma torneira pingando: não basta enxugar o chão que está alagado, é preciso consertar o defeito da torneira!

   O primeiro passo é procurar estabelecer a causa da rinite e, se possível, afastá-la através de medidas de controle. Este é o tratamento ideal e muitas vezes, suficiente.

   No entanto, como nem sempre é possível o afastamento total, como no caso da poeira domiciliar, procede-se o segundo passo, que consiste na escolha dos medicamentos que serão utilizados para reduzir a inflamação e controlar os sintomas.

   Finalmente, estabelece-se o terceiro passo, que é o uso de vacinas, também chamado de imunoterapia.


CONTROLE DO AMBIENTE

   Quanto mais perfeita a profilaxia ambiental, melhores os resultados, menos remédios, menos vacinas!

   Algumas medidas devem ser tomadas para se evitar o contato abusivo com os alérgenos. O local que deve ser mais fiscalizado é o dormitório. Não se deve esquecer que cerca de 8 horas por dia é passado neste aposento. Este ponto é de extrema importância para o bom resultado do tratamento.

   O maior número possível das medidas listadas abaixo devem ser seguidas.

   Evite tapetes, carpetes, cortinas e almofadões no quarto de dormir. Dê preferência a pisos laváveis e cortinas do tipo persianas ou de material que possa ser limpo com pano úmido.

   Camas e berços não devem ser colocados lateralmente junto à parede.

   Evite mofo e umidade, principalmente no quarto de dormir. Uma solução de ácido fênico a 2,5% pode ser passada nos locais mofados, até uma solução definitiva ser tomada.

   Evite animais de pelúcia e estantes de livros abertas no quarto.

   Evite sprays com "cheiros" ou "saches" no quarto de dormir.

   Evite travesseiros de paina ou penas. Use os de espuma, sempre que possível envoltos em material plástico (napa).

   Da mesma forma, faça uma capa de material que possa ser limpo com pano úmido para o colchão.

   Evite vassouras e espanadores de pó. Passe pano úmido diariamente na casa antes do uso de aspirador de pó e, de preferência, duas vezes ao dia no quarto de dormir.

   Evite animais de pêlo. Animais ideais de estimação para crianças alérgicas são peixes e tartarugas. Caso seja impossível evitar os animais de pelo, eles devem tomar banho pelo menos uma vez por semana e não devem de forma alguma permanecerem no quarto de dormir.

   Evite desinfetantes e produtos de limpeza com odor forte. Dê preferência às pastas, e sabões em pó para a limpeza de banheiro e cozinha.

   Não use inseticidas em spray nem do tipo espiral.

   Verifique periodicamente as áreas úmidas de sua casa como banheiro (cortinas plásticas do chuveiro, embaixo das pias etc.), cozinha e porões para evitar o aparecimento do mofo.

   As roupas de cama devem ser lavadas com água quente (55 graus) para se eliminar os ácaros.


Cuidados pessoais:

   Evite talcos e perfumes.

   Evite banhos extremamente quentes. A temperatura ideal da água é a temperatura corporal.

   Não fume, nem deixe que fumem dentro de casa.

   Roupas raramente usadas devem ser arejadas e se possível lavadas antes do uso.

   Dê preferência a vida ao ar livre. Esportes podem e devem ser praticados.


REMÉDIOS PARA ALERGIA

   A escolha do tipo de remédio que será necessário para tratar uma rinite dependerá da intensidade da rinite. Existem medicamentos de alívio, ou seja, aqueles utilizados no momento das crises e medicamentos preventivos, que como o nome indica, servem para prevenir as crises através da redução do processo inflamatório.

   Osprincipais remédios de alívio são os antialérgicos, também chamados de antihistamínicos, os descongestionantes e corticóides de uso sistêmico. Podem ser utilizados por via oral, sob forma de comprimidos ou xaropes ou por via local, como os sprays ou gotas nasais. 

   Entre os remédios preventivos, citam-se os corticosteróides inalados, cromoglicato e cetotifeno. 

   Os antialérgicos são os medicamentos mais utilizados no tratamento da rinite, sendo que os mais modernos - também chamados de antialérgicos de segunda geração são eficazes e não provocam tantos efeitos indesejáveis - como, por exemplo, a sonolência - verificados com aqueles mais antigos.

   Atualmente existem inclusive antialérgicos sob a forma de spray para uso nasal.

   O uso de remédios por via local (com exceção das gotas vasoconstritoras) guarda a vantagem dos baixos efeitos colaterais, já que sua absorção é muito menor. As gotas nasais proporcionam alívio inicial, mas seu uso indiscriminado pode levar à dependência, provocando prejuízos à mucosa nasal.

   Os corticóides por via oral são utilizados apenas nos períodos de sintomas intensos e sob estrita orientação médica. Já os corticóides para uso em spray nasal são bastante úteis como preventivos, podendo ser utilizados com segurança mesmo em crianças e por tempo prolongado, pois não produzem os efeitos secundários verificados no uso sistêmico.

   O importante é que os remédios só devem ser utilizados quando receitados pelo médico!


SAIBA UM POUQUINHO SOBRE A SINUSITE...

   Seios da face - também chamados de seios paranasais - são um conjunto de oito cavidades ósseas localizadas próximas do nariz, sendo uma de suas funções auxiliar o nariz no trabalho de filtração, umedecimento e aquecimento do ar que se respira. Chama-se de sinusite à inflamação desses seios paranasais

   Como os seios são revestidos com a mesma mucosa que recobre internamente o nariz, ao inflamar-se, a mucosa obstrui orifícios dos seios da face, retendo a secreção e provocando a sinusite.

   Os sintomas mais comuns da sinusite são: dor de cabeça, sensação de peso facial, congestão, secreção nasal purulenta.

   No entanto, principalmente nas crianças, a dor de cabeça pode estar ausente, sendo muitas vezes a tosse que piora à noite o único sintoma.

   A sinusite pode piorar a rinite ou provocar complicações, como: infecções oculares, pneumonias, crises de asma, e até meningite. Por isso é tão importante que seja detectada e tratada adequadamente.


AS VACINAS

   O propósito das vacinas utilizadas no tratamento da rinite é diminuir a sensibilidade a certos agentes provocadores das crises (antígenos) que são impossíveis de serem retirados da vida do alérgico, como por exemplo, a poeira de casa.

   O tratamento com vacinas é demorado, mas tem bom resultado na rinite alérgica. As vacinas consistem em injeções periódicas aplicadas por via subcutânea utilizando-se doses crescentes do antígeno.
Seu objetivo principal é estabelecer um "escudo" que permita ao alérgico viver melhor em seu ambiente. Entretanto, as vacinas não substituem as medidas de controle ambiental!


SITUAÇÕES ESPECIAIS:

RINITE NA GESTANTE

   A presença de sintomas de rinite em gestantes não é achado incomum, podendo surgir em duas situações: a paciente que já apresentava rinite antes da gestação, ou os sintomas que começam durante a gravidez. Em resposta à ação dos hormônios - direta ou indiretamente, através de seus efeitos circulatórios, ou ainda, pela instabilidade do sistema neurovegetativo sobre os vasos sanguíneos do nariz.

   O controle da rinite na gravidez é importante não só para dar conforto à gestante, mas também para prevenir efeitos adversos indiretos sobre a gestação devido a alterações no sono, paladar, olfato, assim como para impedir que atue como fator agravante e/ou desencadeante de crises de asma.

   A gravidez em geral, é um momento de vulnerabilidade emocional, mesmo em mulheres saudáveis. Assim, é importante que se estabeleça um diálogo amistoso entre o médico e a gestante, a fim de que ela fique tranquila e participe efetivamente no tratamento.


RINITE NO IDOSO

   Uma pessoa é considerada idosa segundo padrões da Organização Mundial de Saúde após atingir 60 anos de idade. Pacientes podem manifestar sintomas de rinite iniciando-se na terceira idade ou estes podem significar a continuação de uma rinite alérgica iniciada desde a infância ou adolescência, passando ou não por períodos de remissão.

   A rinite no idoso é importante porque pode exercer reflexos significativos em sua vida. Além disso, a pessoa idosa em geral apresenta outras doenças, tais como hipertensão arterial, diabetes, processos coronarianos, reumáticos, digestivos, etc, que necessitam ser considerados. Os remédios também deverão ser usados com cautela em função de efeitos colaterais que poderão ocorrer.

   Ressalta-se que ao comparecer à consulta, o idoso deve relatar ao médico os outros remédios que faz uso, para evitar reações desagradáveis.


RINITE NO ATLETA

   Atletas como qualquer pessoa, podem apresentar variados tipos de rinite que podem independer da atividade esportiva. No entanto, o esporte pode propiciar situações que possam desencadear problemas nasais, como por exemplo, a exposição a uma série de substâncias no ambiente fechado de ginásios ou alojamentos. Atletas também estão sujeitos a traumas no nariz, o que pode também atuar piorando a rinite. Em nadadores, não é raro surgimento de rinite e conjuntivite pelo cloro das piscinas.

   O tratamento ideal da rinite do atleta deve ser feito sob medida para cada pessoa levando-se sempre em conta dois princípios básicos:

  1. A medicação deve pertencer às categorias autorizadas pelos Comitês Olímpicos, isto é, não pode ser considerada como "doping".
  2. A medicação não pode provocar efeitos adversos que possam afetar o desempenho esportivo do indivíduo.


RINITE MEDICAMENTOSA

   Chama-se de rinite medicamentosa quando a congestão é provocada pelo uso indiscriminado de gotas nasais ou como efeito colateral de medicamentos.

   As gotas nasais podem provocar o que se chama de fenômeno de "rebote", isto é: após sua ação terapêutica de constrição dos vasos nasais, segue-se uma fase de dilatação, provocando obstrução nasal e piorando ou provocando o surgimento da rinite. Teoricamente estas drogas não devem ser utilizadas por mais de 5 a 7 dias.

   O uso abusivo das gotas nasais termina por provocar alterações da mucosa nasal, prejudicando sobremaneira suas funções. Além disso, seu uso também pode provocar taquicardia e hipertensão arterial, mesmo em pessoas jovens.

   Considera-se também como rinite medicamentosa aquela que aparece como conseqüência do efeito colateral de alguns remédios. O exemplo mais comum é de alguns medicamentos utilizados para controle da pressão arterial e a aspirina.

   O uso de drogas ilícitas, como a cocaína também pode ser causa de rinite.


A SUA PARTICIPAÇÃO NO TRATAMENTO:

   Nenhum tratamento pode dar certo se não contar com a insubstituível colaboração do próprio paciente e/ou de sua família.

  • Em primeiro lugar, aceitar a que a rinite é uma doença crônica, e que deve ser tratada não apenas nos momentos de piora, mas de forma preventiva - mesmo quando se está sem sintomas.
  • As instruções devem ser respeitadas e discutidas com o médico: as medidas de controle ambiental, a proibição do fumo são fundamentais.
  • Ao comparecer à consulta, pergunte muito, procure esclarecer suas dúvidas. Se possível, você deve escolher junto com o médico qual a melhor alternativa de tratamento.
  • Procure saber o que você pode fazer no caso de apresentar crise no intervalo entre as consultas. Lembre-se que aprender a manejar a própria doença não significa que você pode automedicar-se!
  • Horários de trabalhos, de estudo bem como de atividades devem ser respeitados no que diz respeito aos remédios capazes de provocar efeitos colaterais, como por exemplo, a sonolência.
  • Relate ao médico se você é portador de outras doenças para evitar interferências prejudiciais no tratamento
  • Se surgir algum sintoma novo, entre em contato com o médico.
  • Procure ter uma vida ao ar livre, praticar esportes, dentro de suas possibilidades. Estimule seu filho a brincar livremente: bicicleta, jogar bola, etc.
  • Evite atitudes negativas
  • Evite as trocas constantes de tratamento. Dê um tempo ao médico para que ele possa atuar!
  • Não estabeleça proibições descabidas. O alérgico bem orientado pode ter uma vida normal, sem grandes restrições, desde que orientado pelo médico especialista.


Este texto faz parte de um projeto educacional desenvolvido pela equipe médica da Clínica de Alergia da Policlínica Geral do RJ, com o apoio das Sociedades Médicas de Alergia, Pneumologia e Pediatria do RJ e da Sociedade Brasileira de Asmáticos.